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            <titulo><![CDATA[A pretensão dos delegados da PF »]]></titulo>
            <descricao><![CDATA[<p align="justify">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Depois de terem reivindicado durante anos prerrogativas equivalentes &agrave;s dos membros do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, os delegados da Pol&iacute;cia Federal pretendem ter as mesmas garantias funcionais que a Constitui&ccedil;&atilde;o concede aos magistrados. A corpora&ccedil;&atilde;o alega que, sem vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos, a Pol&iacute;cia Federal n&atilde;o tem a for&ccedil;a necess&aacute;ria para combater a corrup&ccedil;&atilde;o e o crime organizado.</p>
<p align="justify">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&quot;&Eacute; comum a interfer&ecirc;ncia de outros Poderes e mesmo da m&aacute;quina governamental nos procedimentos conduzidos por delegados federais&quot;, diz o l&iacute;der sindical da categoria, reivindicando o mesmo tratamento jur&iacute;dico dado pela Constitui&ccedil;&atilde;o &agrave;s chamadas &quot;carreiras jur&iacute;dicas de Estado&quot;. Al&eacute;m do lobby montado para persuadir deputados e senadores a aprovar Propostas de Emendas Constitucionais pertinentes &agrave;s suas atribui&ccedil;&otilde;es, os delegados federais est&atilde;o tentando obter apoio do governo.</p>
<div align="justify">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&Agrave;s v&eacute;speras do Natal, eles convidaram o ministro da Justi&ccedil;a - ao qual a Pol&iacute;cia Federal &eacute; subordinada - para um jantar de confraterniza&ccedil;&atilde;o e pediram que defendesse as pretens&otilde;es da corpora&ccedil;&atilde;o junto ao Pal&aacute;cio do Planalto. Pol&iacute;tico experiente, o ministro Martins Cardozo limitou-se a dizer que era &quot;sens&iacute;vel &agrave; causa&quot;.</div>
<div align="justify">&nbsp;</div>
<p align="justify">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A mobiliza&ccedil;&atilde;o dos delegados federais come&ccedil;ou depois que os tribunais come&ccedil;aram a anular as provas obtidas em opera&ccedil;&otilde;es espetaculosas realizadas pela Pol&iacute;cia Federal. No cumprimento de v&aacute;rios mandados de busca e apreens&atilde;o de documentos, por exemplo, houve invas&atilde;o de resid&ecirc;ncias e de escrit&oacute;rios de advocacia. Alguns delegados federais tamb&eacute;m abusaram das pris&otilde;es tempor&aacute;rias, submetendo investigados a constrangimentos e recorrendo de forma abusiva ao uso de algemas. E, com o objetivo de obter autoriza&ccedil;&atilde;o judicial para grampear os telefones de pessoas sobre as quais n&atilde;o pairam suspeitas de irregularidades, encaminharam aos ju&iacute;zes pedidos vagos e infundados.</p>
<div align="justify">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ao trancar a&ccedil;&otilde;es criminais abertas com base em provas obtidas por vias il&iacute;citas, os tribunais superiores criticaram a banaliza&ccedil;&atilde;o das pris&otilde;es tempor&aacute;rias e afirmaram que elas poderiam levar a um &quot;Estado policial midi&aacute;tico&quot;. Tamb&eacute;m consideraram desnecess&aacute;rias pris&otilde;es efetuadas ao amanhecer, quando os investigados ainda estavam dormindo. E observaram que, na condu&ccedil;&atilde;o de alguns inqu&eacute;ritos, houve invas&atilde;o de privacidade, vazamento de informa&ccedil;&otilde;es sigilosas para pressionar magistrados e acordos indevidos com jornalistas.</div>
<div align="justify">&nbsp;&nbsp; </div>
<p align="justify">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em resposta, os delegados federais classificaram as decis&otilde;es dos tribunais superiores como uma limita&ccedil;&atilde;o ao seu poder de investigar. Em setembro do ano passado, quando o Superior Tribunal de Justi&ccedil;a determinou a anula&ccedil;&atilde;o das provas coletadas pela Opera&ccedil;&atilde;o Boi Barrica, delegados federais acusaram o Poder Judici&aacute;rio de &quot;estar a servi&ccedil;o das elites&quot; e de abrir &quot;a porta para a impunidade no Pa&iacute;s&quot;. Em suas cr&iacute;ticas &agrave; Justi&ccedil;a, alguns delegados recorreram a chav&otilde;es ideol&oacute;gicos e um deles, apresentando-se como paladino da moralidade, converteu as opera&ccedil;&otilde;es espetaculosas e arbitr&aacute;rias das quais participou em bandeira para se eleger deputado.</p>
<div align="justify">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Se conquistarem as mesmas prerrogativas da magistratura, como pretendem, os delegados federais s&oacute; poderiam perder o cargo mediante senten&ccedil;a judicial transitada em julgado. Tamb&eacute;m n&atilde;o poderiam ser removidos por raz&otilde;es funcionais e as corregedorias passariam a ter dificuldade para instaurar medidas disciplinares contra delegados acusados de exorbitar nas investiga&ccedil;&otilde;es e de cometer irregularidades nas elabora&ccedil;&atilde;o de inqu&eacute;ritos. Al&eacute;m disso, os policiais ficariam livres do controle externo que hoje &eacute; promovido pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico. E, como integrariam uma &quot;carreira jur&iacute;dica de Estado&quot;, passariam a receber o equivalente a 95% dos vencimentos dos ministros do STF. Mas o mais importante &eacute; que a Pol&iacute;cia Federal teria a mesma autonomia funcional da Procuradoria da Rep&uacute;blica, do Legislativo e do Judici&aacute;rio, convertendo-se numa institui&ccedil;&atilde;o aut&ocirc;noma e independente e comprometendo o princ&iacute;pio da triparti&ccedil;&atilde;o dos Poderes, que &eacute; a ess&ecirc;ncia do Estado de Direito.</div>
<p>&nbsp;</p>]]></descricao>
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